Grand Budapest Hotel

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O realizador Wes Anderson conseguiu “arranjar espaço”, num filme com pouco mais de hora e meia de duração, para um elenco de luxo que inclui Ralph Fiennes, Jeff Goldblum, Adrien Brody, Williem Dafoe, Jude Law, Bill Murray e Edward Norton, sendo que apenas o primeiro é personagem principal, e tem o destaque a que estará habituado.

“Grand Budapest Hotel” é uma excelente comédia, com uma boa história, contada a ritmo alucinante, com um certo toque de banda desenhada – quer pelas características das personagens, quer pela realidade alterada que apresentada.

Podem não ser os vencedores, mas Wes Anderson e Ralph Fiennes não deverão ser esquecidos nas entregas dos prémios mais importantes referentes ao cinema de 2014.

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The Music Never Stopped

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Um comovente filme sobre o poder que a música exerce sobre a nossa mente e a forma como associamos determinadas canções a momentos mais, ou menos, importantes ao longo de toda a nossa vida.

Este é também um filme sobre relações familiares: o choque entre pai e filho que têm dificuldade em compreender e conciliar as suas diferenças. A música começa por ser símbolo (e motivo) deste afastamento, mas é através dela que vão reencontrar o amor e a compreensão perdidas pelo caminho.

Excelente banda sonora, centrada essencialmente em The Grateful Dead. Uma boa oportunidade para recordar e explorar as toneladas de boa música que se ouvia nos anos 60.

Django-Livre

Foi com expectativas elevadas que recentemente vi Django Unchained. Pela qualidade e originalidade que Quentin Tarantino tem demonstrado ao longo da sua carreira, qualquer novo filme da sua autoria aguça a curiosidade.

Django Unchained é mais uma grande obra de Tarantino, que mantém os ingredientes que caracterizam grande parte do seu trabalho: revivalismo, humor, exagero, surpresa, violência crua, imaginação, tensão, insólito, contraste, dramatismo, fantasia e sangue. Muito sangue.

Num plano mais técnico, mantêm-se também a mestria e ousadia na selecção e utilização da banda sonora, na utilização de planos e movimentos de câmara pouco comuns nos filmes actuais, e um excelente trabalho de fotografia: é um daqueles filmes em que a qualquer momento que façamos pausa, teremos à nossa frente uma bonita imagem.

Tão, ou mais, importante que todos estes aspectos é a qualidade da história. É esta combinação entre uma grande história, e uma forma única de a contar que fazem os filmes de Tarantino ser tão especiais.

Tal como Licoln – filme também de 2012 – Django Unchained aborda a questão da escravatura nos Estados Unidos, nos estados do Sul, mas tem uma abordagem mais emocional, mais humana, enquanto o filme de Spielberg aborda a mesma questão, mas de um ponto de vista histórico, centrado essencialmente na trama política e na importância dos lobbies.

Os actores principais têm um excelente desempenho: entre eles Jamie Foxx – não consigo imaginar Will Smith, que foi a primeira escolha de Tarantino, a fazer este papel -, Christof Watlz e Leonardo Dicaprio, mas saliento a personagem de Samuel L Jackson, um velho rezingão, capataz e confidente do senhor branco, insensível à escravatura imposta aos negros.

Os Miseráveis

ImageOntem vi “Os Miseráveis”, e a primeira coisa que me apetece dizer sobre o filme é: Serei o único que não gosta de ouvir vibratos na voz nas notas prolongadas!? Uma ou duas vezes, OK… mas a insistência é tanta que me pergunto se não será um subterfúgio para esconder fragilidades técnicas.

Digo isto porque são essencialmente os actores mais conhecidos do elenco – que não são cantores – a recorrer a esta técnica: Anne Hathaway, Hugh Jackman e Russel Crowe.

Não me entendam mal: o argumento é fantástico, a sequência de encontros, desencontros e reencontros é comovente e digna de uma verdadeira tragédia grega, os temas musicais são muito interessantes, mas dei por mim a pensar que seria muito mais interessante ver este filme num registo “não-musical”.

E garanto que não tenho nada contra musicais. Muito pelo contrário. Alguns estão mesmo no lote dos meus filmes preferidos, como “Jesus Christ Superstar” ou “Sweeney Todd: o Terrível Barbeiro de Fleet Street”, mas, neste caso particular, acho que o género escolhido não beneficia a narrativa.

Por falar em “Sweeney Todd”, curiosamente, Sacha Baron Cohen e Amanda Seyfried aparecem também em “Os Miseráveis”, e interpretam – e muito bem – um casal que no meio de tanta ‘miséria’ nos faz rir um pouco.

Quanto ao óscar ganho por Anne Hathaway, acho que foi uma atribuição ‘preguiçosa’. Como é que me vou explicar? Acho que é uma personagem tão exagerada, de extremos, que é fácil atribuir o óscar. Não sei a quem atribuiria a estatueta, mas, a mim, a interpretação não me convenceu.

“Os Miseráveis” vale pela história e pela tensão que consegue criar em diversos momentos, mas é um filme de altos e baixos.

Voando sobre um ninho de cucos

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“Voando sobre um ninho de cucos” é um daqueles filmes que nos surpreende. Que consegue remeter ao fracasso as nossa previsões sobre o desenrolar do filme. É um filme tocante que aborda um tema que a sociedade quer esconder: as doenças psiquiátricas graves e o acompanhamento que estas pessoas recebem. Mas é também um hino à camaradagem e ao valor da liberdade.

Jack Nicholson – numa interpretação soberba que lhe valeu um óscar – é Randle Patrick McMurphy, um homem rebelde com problemas de comportamento social que, por não estar a cumprir os seus deveres na prisão – onde foi parar por distúrbios e brigas – acaba por ser internado num hospital psiquiátrico apenas para observação temporária, mas que, surpreendentemente, cria uma forte ligação com os pacientes internados e acaba por arriscar tudo para lhes mostrar que há um mundo para lá das paredes daquela instituição que os estrangula com rotinas e os apaga com medicamentos.

Uma das cenas mais divertidas do filme fez-me lembrar o nosso “Portugal dos Drs.” – por extenso ou abreviatura – e os rótulos que colamos nas pessoas antes que sequer abram a boca. Imaginem – ou recordem, caso já tenham visto o filme – um grupo de cerca de dez homens, cada um com um ar mais lunático do que o anterior, apresentados como psiquiatras de renome internacional, e a acenar com a cabeça, com olhar confiante, à medida que o seu nome, precedido da “palavrinha mágica” doctor, é pronunciado. Na verdade, trata-se de um grupo de pacientes psiquiátricos que se prepara para utilizar um barco alheio, fazendo passar-se por algo que não são.

Neste caso, entrando no espírito do filme, a finalidade era louvável – convencer o guarda do cais de que aquelas eram pessoas credíveis e respeitáveis, com o objectivo de proporcionar uma experiência enriquecedora e inesquecível – no entanto, no quotidiano do nosso país, há quem queira ser doutor a todo o custo. E uns conseguem mesmo o que querem.

Green Zone

Uma excelente combinação de acção e intriga política ao mais alto nível sobre a falsa justificação para o início da invasão ao Iraque: a existência de armas de destruição maciça, que nunca chegaram a ser encontradasGreenZone-poster-460x681

“O Governo dos Estados Unidos queria ouvir a mentira. Queriam derrubar Saddam e fizeram exactamente o que tinham que fazer.” (personagem Al Sharawi – general iraquiano)

“Acha que a guerra acabou só porque estão em Bagdade? Vai ver. Ainda agora começou” (personagem Al Sharawi – general iraquiano)

“Já nada disso interessa. Armas de Destruição Maciça? Isso não interessa.” (personagem Poundstone – governo americano)

O filme está longe de ser um documentário fiel ao que realmente se passou em 2003 – bastam uns minutos de pesquisa na internet para perceber isso – mas serve para lembrar que a administração norte-americana nos quis fazer passar por parvos. Estamos em 2013. Dez anos depois do seu início, o conflito ainda não terminou.

Green Zone mostra também o poder da comunicação social e as consequências perigosas que podem advir da manipulação de informação. Serve para nos lembrar que todo o cuidado é pouco com a confirmação das fontes e das suas informações.