Das ruas de Lisboa para os grandes palcos europeus

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Alguém mais distraído podia pensar tratar-se de um novo disco de Mumford & Sons. Mas não. “Cornerstone” é o disco de estreia de Brass Wires Orchestra. São portugueses, têm apenas dois anos de existência, mas já deram cartas no estrangeiro.

Aliás, o primeiro grande feito da banda foi ficar em segundo lugar no concurso internacional Hard Rock Rising. A consequência foi pisar o palco do famoso Hard Rock Calling, que se realiza no Hide Park, em Londres, e por onde passam os “monstros” da música. Só para termos uma noção, em 2012, no mesmo dia em que actuaram os Brass Wires Orchestra, actuou também Bruce Sprinsteen.

Mas para conhecer o verdadeiro início da banda, é preciso recuar alguns meses, até Setembro de 2011, quando, por iniciativa do vocalista, Miguel da Bernarda, a banda se juntou pela primeira vez. O passo seguinte foi tocar ‘covers’ nas ruas de Lisboa, “para arranjar dinheiro para comprar algum instrumento, ou apenas pelo gozo”, como explicam no seu site.

Destas ‘covers’ faziam parte algumas das bandas que os Brass Wires Orchestra assumem – de forma clara – serem ainda hoje as suas influências musicais: Mumford & Sons, Beirut, Typhoon, Fleet Foxes, Matthew and the Atlas, ou Laura Marling.

Mas não se pense que esta ascensão vertiginosa – que encurtou o caminho entre o Largo de Camões, em Lisboa, e o Hyde Park, em Londres – fez a banda saltar etapas na edição do seu disco de estreia. “Cornerstone” viu a ‘luz do dia’ apenas este Verão.

O álbum foi gravado em Portugal, nos Black Sheep Studios, por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim, ambos da banda portuguesa PAUS, mas a masterização foi feita em Londres, nos conhecidos estúdios Abbey Road, por Frank Arkwright, que trabalhou com os Arcade Fire no álbum “Neon Bible”.

Podendo, à partida, ser um pouco estranho, o nome da banda não podia, afinal, fazer mais sentido. É, de facto, a conjugação dos vários instrumentos de corda acústicos com os metais de sopro que mais caracteriza a sonoridade dos Brass Wires Orchestra.

“Cornerstone” tem momentos melancólicos e rasgos de alegria consciente e contida, apresentando uma grande consistência do início ao fim, em termos de qualidade. A harmonia, ora pelas vozes, ora pelos instrumentos de sopro, foi muito bem cuidada em todos os temas, e cria grande momentos musicais.

2015 reserva muitos Km de estrada

Não foi só no estrangeiro que os Brass Wires Orchestra deram provas do seu talento. Em Portugal já inscreveram o seu nome no cartaz de um grande festival, como o Optimus Alive. E isto aconteceu em 2013, quando ainda não havia disco nas lojas. 2015 promete, por isso, ser um ano com muitos quilómetros de estrada à espera dos Brass Wires Orchestra. Diz quem já os viu ao vivo, que dão um grande espectáculo. Eu acredito, e não me importava nada de os ver por cá, a povoar um dos nossos palcos com os seus inúmeros músicos.

Artigo publicado em Meia de Rock e no jornal Açoriano Oriental

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