“Cúpido” dos Expensive Soul finalmente em álbum

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Há muito que o “Cúpido” andava a cantar-nos ao ouvido, prometendo um disco de qualidade, mas só agora surgem os temas que o acompanham em “Sonhador”, o novo álbum dos Expensive Soul.

O “Cúpido” não mentiu: a banda voltou, quatro anos depois do último disco, como uma sonoridade renovada, mais orgânica, mais completa e mais interessante. “Sonhador” segue a pista musical deixada pelo hit “O Amor é Mágico”.

Se o álbum de 2010 – “Utopia” – era mais próximo do hip-hop e da pop, este novo trabalho bem podia ter sido gravado nos anos sessenta pela “Motown Records”, que impulsionou e celebrizou o soul e o funk.

Aliás, esta evolução parece-me estar bem visível na página da banda no Facebook, em que os músicos apontam Kanye West, Bilal, Common e d’Angelo como artistas de que gostam, mas na informação sobre “influências” – possivelmente preenchida mais recentemente – são mencionados nomes ‘old school’ de peso como Marvin Gaye, Ray Charles, James Brown e Bob Marley.

A longa espera entre o lançamento do primeiro single e o lançamento do álbum acaba por ser a imagem do percuso da banda portuense: lento, mas com passos firmes. Afinal – embora possa não parecer – New Max e Demo (nomes artísticos dos mentores dos Expensive Soul) deram os primeiros passos ainda antes do último virar de milénio.

“Sonhador” tem um som fresco e leve, propício aos dias quentes de Verão, mas nem por isso é menos maduro e complexo, principalmente no que diz respeito à componente instrumental. Ainda esta semana, sentado no sofá do “5 para a Meia-Noite”, New Max dizia, com visível orgulho, que, pela primeira vez, todos os instrumentos tinham sido gravados sem recurso a único ‘sample’. Esse carácter orgânico e real, sobressai no disco.

Certamente mais preocupados com a qualidade artística dos seus espectáculos – e ainda bem que assim é – do que com o lucro imediato dos concertos, os Expensive Soul não se coíbem de levar toda a energia do disco para cima do palco, contando com a presença de 11 músicos, além dos dois líderes do projecto. Ter guitarra, baixo, bateria, percussão, teclas, secção de metais com três sopros, e o acompanhamento por um coro de três elementos é uma proeza que poucos artistas portugueses conseguem (ou querem) realizar.

Não posso deixar de destacar o tema “Electrificado”, com uma longa e deliciosa secção instrumental que põe qualquer pessoa, no mínimo, a bater pé.

Arranque com edição independente

Ao contrário do que é habitual, a estreia discográfica dos Expensive Soul não passou por uma editora. Os jovens New Max e Demo arriscaram a dar este primeiro passo sem rede de segurança e sem esperar que alguém o decidisse num escritório distante e desconhecido. Aposta ganha: “B.I.” (2004) acabou por figurar na lista dos melhores 3 álbuns do ano pela “Blitz” e pela “Antena 3”. Depois vieram “Alma Cara” (2006), “Utopia” (2010) e “Symphonic Experience” (2012) gravado ao vivo com acompanhamento de orquestra e coro, dirigido pelo maestro Rui Massena.

Artigo publicado em Meia de Rock e no jornal Açoriano Oriental

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